"Ah, se eu pudesse abrir a minha cabeça, colocar tudo para fora. Arrumar tudo direitinho como quem arruma uma gaveta. Ou tomar um banho de chuveiro por dentro."
Caio Fernando Abreu. (via florescedora)

(Source: classificar, via florescedora)

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"As despedias são dolorosas. A sensação de último abraço, último beijo, último aperto de mão nos deixa com um nó na garganta. Um arrepio nos sobe até a nuca e toda a nossa estrutura emocional se desfaz tão rapidamente, que mal conseguimos pronunciar um adeus entristecido. As fichas demoram a cair e, quando caem, soam tão altas e causam um impacto tão grande, que nós desabamos em profundo silêncio. Não deixamos transparecer toda a dor que nos invade, toda a tristeza que nos inunda os olhos e deixamos o caos para outra hora. Despedidas são tão doídas, tão tristes, tão… suicidas. Sim, esta é uma ótima definição; “suicida”. Quando nos despedimos de alguém e deixamos que este alguém se vá, estamos nos matando inconscientemente. A sensação de últimas palavras, de últimos suspiros, de últimas lágrimas nos deixa anestesiados, imóveis, como se nossos corações parassem e o sangue não mais corresse em nossas veias. Atravessamos as avenidas tumultuadas de nossos corações, inconscientes dos minutos anteriores e anda anestesiados pela dor e tristeza. A solidão volta a nos invadir, como um mendigo invade as calçadas da vida. Ficamos inconscientes, anestesiados, entristecidos ou seja lá qual for a palavra para descrever tamanha dor. Nossa estrutura emocional começa a desabar, nossas pernas começam a tremer e nosso coração pulsa rápidos demais que os batimento sejam contados. Silêncio… O caos se espalha por todo o meu corpo, minha mente se embaralha a cada lembrança que ressurge e meu coração para por alguns segundos. A ficha caiu, o jogo virou para o lado oposto."
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